O amor, se fosse, seria um jogo estranho em que todos os jogadores perdem se jogam. Por que a conquista, o jogo de sedução, a invasão de um reino desconhecido, o desejo que se desperta no outro a fim de fazê-lo vir até nós, os óleos da cobiça e as fumaças da volúpia, nada disso é ainda amor. A paixão, vontade que se sente por uma projeção, é egoísta demais para ser chamada de amor.
A paixão é o esteio afetivo dos adolescentes, seres só menos egoístas que as crianças, mas já sem a mesma pureza. A febre dos 15 anos parece a erupção mais voraz do amor. Não é. É só a expressão primeira de um sentimento novo e intenso. Intensidade não é necessariamente amor. Intensidade é só um vetorial. Qualquer sentimento, até o nojo, pode ser intenso.
Amor pode ser intenso, mas vive do dia a dia, não das noites de verão, pois sua marca é a constância. Amor enreda planos, constrói respeito mútuo, admiração e desejo. Quando, por acasos ou descuidos, termina, ninguém vence. Todos perdem. Se no jogo da sedução, acabar um relacionamento é vitória, no amor é responsabilidade. A derrota menor acaba sendo de quem não teve que decidir, quem tentou evitar, pois parte sem culpa.
Assim seguem os amantes separados: ambos perdem, como no frescobol. É possível acelerar, aumentar a intensidade, colaborar ou ficar no limite, mas não faz sentido tentar forçar o erro do parceiro.
No amor, ninguém vence ao final do jogo. Vencer é continuar. Desejar, intensamente, as roupas de cama brancas sempre lisas, dia a dia, rotina previsível e indispensável. Apostar uma vida inteira e nunca jogar, nem mentir, nem enganar, nem dissuadir.Pois o amor só é um jogo na cabeça de quem não sabe amar, exceto a si mesmo.
Aqui sou deus. Crio personagens, invento enredos, narro fantasias que vivi, em carne e osso, mas vocês nunca saberão, com certeza, os limites da fábula. Tudo aqui é real, mas nada é. Eu mesmo sou um personagem que inventei.
25 de nov. de 2008
19 de nov. de 2008
Eu não sou o superman
Ninguém é o superman. Ninguém pode, como Deus, mudar o curso da história, inverter a ordem do tempo. Para mortais, o que quebrou está quebrado. O passado não pode ser refeito. Paciência.
O superman tem poderes para de tudo cuidar e refazer seus erros. Os pobres mortais não. Têm que conviver com os erros do passado, sem poder consertá-los. No máximo, podem aprender e tentar refazer o futuro, este sim em constante mutação, conforme nossas atitudes no presente.
Já pensei que fosse o superman. Não aceitei meus erros. Tentei reescrever o que não podia ser reescrito, tentei controlar o que não me convinha controlar. Pulei de um prédio jurando voar.
É melhor aprender a suportar o passado, a perdoar os próprios erros. Não quero mais refazer nada. Só não quero nunca mais ser tentado por aquela capa vermelha que deixei no guarda-roupas, como lembrança dos dias em que achei ser o superman.
Eu não sei voar. É triste, mas resigno-me.
P.S.: Clique no link do título para ouvir "Superman".
P.S.: Clique no link do título para ouvir "Superman".
10 de nov. de 2008
Ohana
De tudo, afastar-me de vocês, família, é o mais doloroso. E sei que, caso eu queira ou caso não, isso vai acontecer, gradativamente. Seria mais fácil não saber a dimensão das coisas, não saber o significado de tudo isso, mas sei. Vejo, mas não gosto do que vejo.
A vocês que estavam lá e me viram jurar amor eterno, saibam que assumi, naquele instante, vocês também como meu sangue. E de coração vos amo, pois amá-los é o mais simples, o mais fácil, o que menos confunde meu coração.
Os planos que fiz passarão. Não vou ter que brigar com ninguém para que não ensinem meu filho a comer McDonalds, nem terei mais discussões sobre política, nem tampouco faço parte do quinteto de corintianos. Não terei mais que “disputar” o seu amor de sogra, mãezoca. As festas cheias de gente vão ficar no passado, com o tempo. A gritaria, a mesa de baralho, a costela e as festas na chácara. Tudo que amo em vós vai se enevoar. Eu sei.
Se tudo fosse pouco, a forma como vocês me amaram já seria motivo para todas as lágrimas que derramei. Por vós, não por ela.
Sei que o tempo é senhor das curas, que meu coração vai se acalmar, que tudo ficará em mim, mas como a vida que vivi e que muito me ensinou. Outra virá e terei que respeitá-la. Outra família entrará em minha vida. E terei que me dedicar a eles também, pois amor é zelo e cuidado. Tudo vai mudar. Que assim seja, mas dói.
Talvez, por fim, me afastar seja o que me sobre, mas prometo, enquanto for possível, estar aqui e nunca mais abandonar. Ou esquecer.
A vocês que estavam lá e me viram jurar amor eterno, saibam que assumi, naquele instante, vocês também como meu sangue. E de coração vos amo, pois amá-los é o mais simples, o mais fácil, o que menos confunde meu coração.
Os planos que fiz passarão. Não vou ter que brigar com ninguém para que não ensinem meu filho a comer McDonalds, nem terei mais discussões sobre política, nem tampouco faço parte do quinteto de corintianos. Não terei mais que “disputar” o seu amor de sogra, mãezoca. As festas cheias de gente vão ficar no passado, com o tempo. A gritaria, a mesa de baralho, a costela e as festas na chácara. Tudo que amo em vós vai se enevoar. Eu sei.
Se tudo fosse pouco, a forma como vocês me amaram já seria motivo para todas as lágrimas que derramei. Por vós, não por ela.
Sei que o tempo é senhor das curas, que meu coração vai se acalmar, que tudo ficará em mim, mas como a vida que vivi e que muito me ensinou. Outra virá e terei que respeitá-la. Outra família entrará em minha vida. E terei que me dedicar a eles também, pois amor é zelo e cuidado. Tudo vai mudar. Que assim seja, mas dói.
Talvez, por fim, me afastar seja o que me sobre, mas prometo, enquanto for possível, estar aqui e nunca mais abandonar. Ou esquecer.
8 de nov. de 2008
Às vezes jazz, às vezes blues
Uma manhã jazz tem sol ameno, mas só depois das 10 horas, para não me acordar muito cedo. E o dia passa, sem desespero, vida de improvisos e ritmo veloz, mas manso. A maioria dos dias é assim, às vezes menos calmos, mas ouço Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Billie Holiday quase sempre.
Uma noite blues não brilha, nem dentro nem fora, e gasto tempo a ruminar o que escapa ao meu controle. O ritmo desacelera e o tom é alto, agudo. Alguns dias são assim. E ouço B.B. King, Muddy Waters e Yardbirds.
Às vezes, os dias são jazz; às vezes, são blues. Mas amo tanto jazz quanto blues.
Uma noite blues não brilha, nem dentro nem fora, e gasto tempo a ruminar o que escapa ao meu controle. O ritmo desacelera e o tom é alto, agudo. Alguns dias são assim. E ouço B.B. King, Muddy Waters e Yardbirds.
Às vezes, os dias são jazz; às vezes, são blues. Mas amo tanto jazz quanto blues.
4 de nov. de 2008
Pelo direito supremo e inalienável a domingos de manhã
Que o tempo desacelere. Quem vive ao lado de alguém tem o direito supremo e inalienável a domingos de manhã. Tem direito a acordar sem pressa, merece toda preguiça do mundo nos dias de folga.
Que amar demanda tempo, demanda carinho entre gemidos, volúpia e força. Acelera e pára. Repousa e ofega, um após o outro ou vice-versa.
Nos domingos de manhã, o café na cama ou juntos, na mesa, não tem calendário nem agenda. O almoço pode ser tardio. O dia pode esperar. O sono é inútil, mas cochilos lânguidos são a lei.
Tenho desejo de domingos de manhã, de dormir cedo no sábado e não ter compromissos, pois há que se guardar os dias santos. E divino é o sexo.
Domingo não pecar é pecado.
Assinar:
Postagens (Atom)